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Terça-feira, Agosto 30, 2005
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Quando cometemos erros devemos refletir sobre eles
e tentar consertá-los.
Esta é uma maneira de estarmos bem conosco
e com os outros também,
devemos reconhecer nosso erros,
pois só assim seremos verdadeiramente sábios,
só os fortes reconhecem seus erros e tentam corrigi-los.
Caríssimos, caminhar em direção ao bem talvez não seja fácil,
mas é a melhor caminhada que fazemos na Terra,
somente reconhecendo nossos erros estaremos caminhando
em direção ao bem,
ao bem para nós mesmos e ao bem trazido a outros,
pois quando reconhecemos nossos erros paramos de ser tão chatos
e passamos a ser compreensíveis e queridos por todos.
ROSELI BLITZKOW DE SOUZA | 11:00 AM | :
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Segunda-feira, Agosto 29, 2005
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Fui criado com princípios morais comuns.
Quando criança, ladrões tinham a aparência de ladrões e nossa única preocupação em relação à segurança era a de que os "lanterninhas" dos cinemas nos expulsassem devido às batidas com os pés no chão, quando uma determinada música era tocada no início dos filmes, nas matinês de domingo.
Mães, pais, professores, avós, tios, vizinhos eram autoridades presumidas, dignas de respeito e consideração. Quanto mais próximos, e /ou mais velhos, mais afeto.
Era inimaginável responder deseducadamente a policiais, mestres, aos mais idosos, autoridades. Confiávamos nos adultos porque todos eram pais e mães de todas as crianças da rua, do bairro, da cidade. Tínhamos medo apenas do escuro, de sapos, de filmes de terror.
Hoje me deu uma tristeza infinita por tudo que perdemos! Por tudo que meus filhos um dia temerão. Pelo medo no olhar de crianças, jovens, velhos e adultos. Matar os pais, os avós, violentar crianças, seqüestrar jovens, roubar, enganar, passar a perna, tudo virou banalidades de notícias policiais, esquecidas após o primeiro intervalo comercial.
Agentes de trânsito multando infratores são exploradores, funcionários de indústrias de multas. Policiais em blitz são abuso de autoridade. Regalias em presídios são matéria votada em reuniões.Direitos humanos para criminosos, deveres ilimitados para cidadãos honestos.
Não levar vantagem é ser otário. Pagar dívidas em dia é bancar o bobo, anistia para os caloteiros de plantão. Ladrões de terno e gravata, assassinos com cara de anjo, pedófilos de cabelos brancos...
O que aconteceu conosco?
Professores surrados em salas de aula, comerciantes ameaçados por traficantes, grades em nossas portas e janelas. Crianças morrendo de fome, gente com fome de morte.
Que valores são esses?
Carros que valem mais que abraços, filhos querendo-os como brindes por passar de ano. Celulares nas mochilas dos que recém largaram as fraldas. TV, DVD, telefone, vídeo game, o que vai querer em troca desse abraço, meu filho? Mais vale um Armani do que um diploma. Mais vale um telão do que um papo. Mais vale um baseado do que um sorvete. Mais vale dois vinténs do que um gosto.
Que lares são esses?
Bom dia, boa noite, até mais. Jovens ausentes, pais ausentes, droga presente e o presente: "uma droga".
O que é aquilo?
Uma árvore, uma galinha, uma estrela.
Quando foi que tudo sumiu ou virou ridículo?
Quando foi que esqueci o nome do meu vizinho?
Quando foi que olhei nos olhos de quem me pede roupa, comida, calçado, sem sentir medo?
Quando foi que fechei a janela do meu carro?
Quando foi que me fechei?
Quero de volta a minha dignidade, a minha paz e o lugar onde o bem e o mal são contrários, onde o mocinho luta com o bandido e o único medo é de quem infringe, de quem rouba e mata.
Quero de volta a lei e a ordem.
Quero liberdade com segurança.
Quero tirar as grades da minha janela para tocar as flores.
Quero sentar na calçada, e minha porta aberta nas noites de verão.
Quero a honestidade como motivo de orgulho.
Quero a retidão de caráter, a cara limpa e o olho no olho.
Quero a vergonha, a solidariedade e a certeza do futuro.
Quero a esperança, a alegria.
Uma casa para todos, comida na mesa, saúde a mil. Não quero listas de animais em extinção.
Não quero clone de gente, quero cópia das letras de música.
Eu quero voltar a ser feliz!
Quero dizer basta a esta inversão de valores e ideais.
Quero mandar calar a boca de quem diz "a nível de", "neste país", "enquanto pessoa", "eles têm que", "é preciso que"...
Quero xingar quem joga lixo na rua, quem fura a fila, quem rouba, quem ultrapassa a faixa, quem não usa cinto, quem não dignifica meu voto.
Quero rir de quem acha que precisa de silicone, lipoaspiração, dieta, cirurgia plástica, carro zero, laptop, bolsa XYZ, calça ZYX para se sentir inserido no contexto ou ser "normal".
Abaixo o "TER", viva o "SER"!
E viva o retorno da verdadeira vida, simples como uma gota de chuva, limpa como um céu de abril, leve como a brisa da manhã! E definitivamente comum, como eu.
ADORO O MEU MUNDO SIMPLES e COMUM.
Vamos voltar a ser "gente" ? Resgatar o amor, a solidariedade, a fraternidade. Vamos nos indignar diante da falta de ética, de moral, de respeito... Vamos crer e confiar que existe um Deus que pode todas as coisas, que nos resgata e realiza o que julgamos ser impossível.
Vamos deixar de nos silenciar diante do absurdo.
Vamos reconstruir um mundo melhor, mais justo, mais humano, onde os homens respeitem os homens.
Utopia?
Não...Se você e eu fizermos a nossa parte e contaminarmos mais pessoas, e essas pessoas contaminarem mais pessoas...
Quem sabe?...
Por um mundo mais humano !!!
by: Sara Maria Binatti dos Anjos
ROSELI BLITZKOW DE SOUZA | 4:24 PM | :
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Terça-feira, Agosto 23, 2005
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Fazer Amor
(Poesia encontrada em um mosteiro)
Fazer amor é pisar na eternidade...
Fazer amor é coisa séria demais...
Não basta um corpo e outro corpo misturados num desejo insosso desses
que dão feito fome trivial nascida da gula descuidada aplacada sem zelo
sem composturas, sem respeito
atendendo exclusivamente a voracidade do apetite.
Fazer amor é percorrer as trilhas da alma uma alma
tateando outra alma desvendando véus
descobrindo profundezas
penetrando nos escondidos
sem pressa ... com delicadeza.
Porque alma tem textura de cristal deve ser tocada nas levezas apalpada
com amaciamentos até que o corpo descubra cada uma das suas funções.
Quando a descoberta acontece
é que o ato de amor começa.
As mãos deslizam sobre as curvas como se tocando nuvens
a boca vai acordando e retirando gostos provando os sabores
bebendo a seiva que jorra
das nascentes escorrendo em dons.
É o côncavo e o convexo em amorosa conjunção.
Fazer amor é Ressurreição!
É nascer de novo!
No abraço que aperta sem sufocamentos.
No beijo que cala a sede gritante
Na escalada dos degraus
celestiais que levam ao gozo.
Vale chorar...
Vale gemer...
Vale gritar...
Porque aí já se chegou ao paraíso e qualquer som há de sair
melódico e afinado seja grave, agudo, pianinho.
Há de ser sempre o acorde faltante quando amantes
iniciam o milagre do encontro.
Corpos se ajustaram almas matizaram.
Fez-se o Êxtase!
É o instante da Paz
É a escritura da serenidade
E os amantes em assunção pisam eternidades!
ROSELI BLITZKOW DE SOUZA | 11:43 AM | :
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Segunda-feira, Agosto 08, 2005
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O amor maduro
O amor maduro não é menor em intensidade.
Ele é apenas silencioso...
Não é menor em extensão.
É mais definido, colorido e poetizado...
Não carece de demonstrações:
presenteia com a verdade do sentimento.
Não precisa de presenças exigidas:
amplia-se com as ausências significantes.
O amor maduro tem e quer problemas, sim, como tudo.
Mas vive dos problemas da felicidade.
Problemas da felicidade são formas trabalhosas
de construir o bem e o prazer.
Problemas da infelicidade não interessam ao amor maduro.
Na felicidade está o encontro de peles,
o ficar com o gosto da boca e do cheiro,
está a compreensão antecipada, a adivinhação,
o presente de valor interior,
a emoção vivida em conjunto, os discursos silenciosos da percepção,
o prazer de conviver, o equilíbrio de carne e de espírito.
O amor maduro é a valorização do melhor do outro e
a relação com a parte salva de cada pessoa.
Ele vive do que não morreu mesmo tendo ficado para depois.
Vive do que fermentou criando dimensões novas
para sentimentos antigos,
jardins abandonados, cheios de sementes.
Ele não pede... tem.
Não reivindica... consegue.
Não percebe... recebe.
Não exige... dá.
Não pergunta... adivinha.
Existe, para fazer feliz.
O amor maduro cresce na verdade e se esconde a cada auto-ilusão.
Basta-se com o todo do pouco,
Não precisa e nem quer nada do muito.
Está relacionado com a vida e sua incompletude,
por isso é pleno em cada ninharia por ele transformada em paraíso.
É feito de compreensão, música e mistério.
É a forma sublime de ser adulto...
e a forma adulta de ser sublime e criança...
É o sol de outono:
nítido mas doce...
luminoso, sem ofuscar...
suave mas definido...
discreto mas certo.
Um Sol, que aquece até queimar.......
ROSELI BLITZKOW DE SOUZA | 1:50 PM | :
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Terça-feira, Agosto 02, 2005
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A mulher madura nada no tempo e flui com a serenidade de um peixe.
O silêncio em torno de seus gestos
tem algo do repouso da garça sobre o lago.
Seu olhar sobre os objetos não é de gula ou de concupiscência.
Seus olhos não violam as coisas, mas as envolvem ternamente.
Sabem a distância entre seu corpo e o mundo.
A mulher madura é assim:
tem algo de orquídea que brota exclusiva de um tronco, inteira.
Não é um canteiro de margaridas jovens tagarelando nas manhãs...
O corpo da mulher madura é um corpo que já tem história.
Inscrições se fizeram em sua superfície.
Seu corpo não é, como na adolescência
uma pura e agreste possibilidade.
Ela conhece seus mecanismos, apalpa suas mensagens,
decodifica as ameaças numa intimidade respeitosa...
O primeiro namorado ou o primeiro marido não sabem
o que perderam em não esperá-la madurar.
Ali está uma mulher madura,
mais do que pronta para quem souber amar.
Affonso Romano Sant Ana
ROSELI BLITZKOW DE SOUZA | 4:55 PM | :
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